domingo, 12 de outubro de 2008

Música Transcendental (Parte 3)

Passamos, a vôo de pássaro, por todas as categorias dos fenômenos de música transcendental. Resta-nos apenas dar uma olhada naqueles em que a música só é percebida por uma pessoa.
Conta o Dr. Hodgson que, certa madrugada, acordou ouvindo sons musicais que não hesitou em classificar como não sendo "deste mundo". Mesmo depois de acordado prosseguiu a ouvi-los e notou que a música era complicada, rica de ritmos, muito doce, e que preenchia todo o seu quarto. Tão forte foi a impressão que depois disso o Dr. Hodgson decidiu estudar música.
Eis agora um caso belíssimo que tentaremos reduzir ao máximo, mesmo mutilando-o. O protagonista foi um homem de renome na ciência, cujo nome não foi revelado. Ocorreu que, de repente, ele começou a ouvir sons musicais, que muita estranheza lhe causavam. Sendo apreciador de música, conhecia os melhores cantores e as mais famosas orquestras, mas aqueles sons, que percebeu ao longo de seis anos, superavam em beleza a tudo que conhecia. O timbre percebido era equiparável ao do violoncelo e do órgão e as árias tocadas eram sempre nobres, majestosas. Esses sons eram acompanhados por um coro misto de vozes belíssimas, onde se destacava a voz de um tenor, muito doce e comovente.
O envolvimento produzido por essa música era tanto que aquele homem por vezes se sentia atordoado, chegando a correr de casa na tentativa frustrada de se livrar daquele êxtase, a um tempo maravilhoso e perturbador.
Por fim ele foi visitar a Sra. Hollis-Billing, uma médium famosa. Um Espírito manifestante perguntou então ao cientista se ele queria saber quem lhe cantava sempre com aquela voz de tenor. (Note-se que o homem e a médium não se conheciam, nem ele havia dito nada sobre o motivo pelo qual fora ali). Ante a resposta afirmativa, o Espírito esclareceu: - É um músico italiano, chamado Póspora. Muitas vezes ensaiou ele fazer ouvir seu canto aos viventes. Você foi o único com quem ele o conseguiu.
No dia seguinte, consultando biografias de músicos, o cientista encontrou o nome do tenor Póspora, falecido no século XVII.
Mas vamos concluir com um caso curioso ocorrido no Brasil com o Dr. Hamilton Prado, autor de No Limiar do Mistério da Sobrevivência, onde o fato é narrado.
O Dr. Hamilton, embora de início nada soubesse de Espiritismo e nem dele cogitasse, apresentava notáveis fenômenos de "desprendimento" ou de projeção. Bastava adormecer e sua alma ia viajar por paisagens terrestres ou espirituais. E o notável é que ele guardava memória de tudo o que vivenciava nessas ocasiões. Aconteceu então que, uma noite, saiu de seu corpo e percebeu que era levado espaço acima em grande velocidade, até que se viu sobrevoando uma praça arborizada onde havia muitas crianças, todas alegres e sorridentes. Uma delas era uma menina de uns doze anos, corada e muito bonita, e que tinha uma expressão de nobreza e de gravidade, como se fora "uma pessoa adulta cheia de sabedoria". Sobre a cabeça ela trazia, como um diadema, uma estrela refulgente. As crianças que brincavam começaram então a cantar uma música alegre e cheia de vida, cuja melodia lhe era totalmente desconhecida. Pareceu ao Dr. Hamilton tão graciosa a cantiga, que ele se esforçou por memorizá-la. Nesse instante, como se lhe percebessem a intenção, dois vultos ao seu lado começaram a conversar, e um deles dizia: - Mas ele não pode levar essa música; ele precisa esquecer. Aí alguém começou a cantar em seu ouvido uma outra música, no claro intuito de fazê-lo desse modo confundir-se de forma a não poder memorizar a primeira. Notando, porém, sua obstinação em se concentrar na canção das crianças, deixaram-no. Mas outras ocorrências acabaram por fazê-lo esquecer a cantiga infantil e foi assim que despertou. Ao acordar, lembrava-se de tudo com detalhes, mas a melodia que tanto o encantara, essa parecia em definitivo esquecida. Agora o mais curioso: muito tempo depois, assistindo ao desenho de Walt Disney chamado Pinocchio, o Dr. Hamilton teve um sobressalto, pois nesse filme a música Give a Little Whistle era a mesma musiquinha que as crianças cantavam, aquela noite, na paisagem espiritual que visitara, embora, no original, a melodia lhe parecesse mais viva e harmoniosa. Para quem não se lembra, essa música é aquela que o Grilo Falante canta após ter sido nomeado pela fada como a consciência do boneco Pinocchio. Curioso, não? Será que o autor dessa cançãozinha também a ouviu no plano espiritual e depois a reproduziu inconscientemente quando supunha compô-la? É possível.
Pois bem. Deixamos aqui todas essas ocorrências que nos lembram as belezas do mundo espiritual, que é capaz de se manifestar não só através das aparições assustadoras, de obsessões terríveis, de ruídos espantosos, mas também por meio da mais sublime de todas as artes, que é a música. E a música do plano espiritual ultrapassa em beleza a tudo de belo que dela conhecemos neste mundo. O Espírito Mozart falou a Kardec (Revista Espírita - maio de 1858) de mundos onde as flores produzem sons musicais tão naturalmente como as da Terra evolam perfume. Nessa Revista, em maio do ano seguinte, o mesmo Espírito diria: - Na Terra fazeis música; aqui, toda a natureza faz ouvir sons melodiosos. Chopin, em Espírito, no mesmo exemplar dessa Revista fez esta belíssima revelação:
Temos às nossas ordens legiões de executantes, que tocam as nossas composições com mil vezes mais arte do que qualquer de vós. São músicos completos. O instrumento de que se servem é a própria garganta, por assim dizer, e são auxiliados por uns instrumentos, espécie de órgãos, de uma precisão e de uma melodia que, parece, não podeis compreender.
Em março de 1859 Rossini (Espírito) diria na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, da qual Kardec era presidente: Não tentarei dar a explicação dos efeitos musicais que produz o Espírito agindo sobre o éter. O que é certo é que o Espírito produz os sons que quer, e não pode querer o que não sabe. Ora, então aquele (...) que tem a harmonia em si, que dela está saturado (...) age quando quer sobre o fluido universal que, instrumento fiel, reproduz o que o Espírito concebe e quer.
Essas opiniões e os casos que vimos de expor bastam, cremos, para mostrar a imensa gama de belezas com que o Plano Espiritual pode nos brindar, se a tanto nos chegar o merecimento. Se bem soubermos manter nossa atitude em regime de retidão, se nos dispusermos a aparar nossas arestas, se soubermos suportar os golpes que nos lapidam a alma, transformando-a em gema preciosa a irisar o sol do amor, então haveremos de entrar em mais íntima comunhão com os benfeitores espirituais e assim merecer deles não só as mais ternas consolações, as mais sábias orientações, mas também, num acréscimo de misericórdia, a homenagem que nos poderão prestar por meio das mais lindas harmonias que, em troca de um pouco só de nosso esforço e de nossa boa vontade, poderão até, quem sabe, vir nos acolher no momento mesmo de nossa morte, qual um coro de anjos a nos desejar um feliz retorno. Basta que conosco levemos, nessa hora extrema, o coração iluminado pelo Evangelho e o galardão que houvermos conquistado pelo dever atentamente cumprido.
E não tenhamos dúvida de que valerá a pena.

fonte: http://br.geocities.com/sylvioouriquefragoso/musica.html

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